terça-feira, 17 de março de 2009

Olhos claros

O mar revolto dificulta minhas braçadas
de lá do fundo,
uma mão desesperada me chama para baixo
vou até lá
mas ele tem correntes nos pés,
âncoras, bolas de ferro
não consigo salvá-lo
e, pior
começo a me afogar também
começo a perder o ar
a perder a vontade
de reagir
a querer morrer
já que não consigo mais fazê-lo viver.

E então,
lentamente,
docemente,
entre reflexos azuis
mandalas e luzes,
surgem esses olhos
que transbordam compreensão
serenidade
me dizendo:

"Vem comigo, não morre não,
preciso de alguém como você,
assim, toda pintada no corpo,
toda doída na alma,
toda cansada de tanto salvar os outros,
toda esquecida de como salvar a si mesma,
toda envergonhada de tanto masoquismo"

Olhos, azuis acinzentados
guardados de perto por uma fadinha séria,
adulta em corpo de criancinha...

"Voltem sempre" ele disse.

E meu coração não se cansa de voltar
de voltar pro azul de seus olhos
que não me deixaram afogar
pra firmeza de seus braços
que
talvez
um dia
irão me segurar.

(pro moço desconhecido da Praça do Côco em Barão)

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