sábado, 26 de julho de 2008

Natureza natural naturalis

Dri Dezotti

(O verde dos campos era claro, um verde limão que ardia nos olhos. Só as florzinhas brancas espalhadas feito micro flocos de neve, aliviavam a vista, principalmente se o olhar deslizasse para o céu azul cheio de pontos prateados feito luz sem realmente ser, feito pó de pirlimpimpim bailando em movimentos quase circulares.)

Meu corpo nú
Sobre a seda colorida
Colocada na relva macia
Coberta de florzinhas brancas e amarelas

Meu corpo inocente
Sentindo a brisa perfumada
E o calor dourado
Do sol chegando devagar

Meu corpo sereno
Pelos pubianos tremulando
O vento da brisa perfumada
O corpo ficando dourado
Na luz do sol da manhã

Os bicos de meus seios
Rígidos e eretos
Sentem pousar borboletas
Azuis e negras

O ventre, se faz tocar por libélulas
Enquanto em meus lábios úmidos pela saliva
Abelhas inofensivas buscam o mel

Um casal de louva-deus copula na curva de minha coxa
A joaninha sobe pela mão direita
Enquanto borboletas amarelas
Formam um diadema entre a testa
E a raiz de meus cabelos

Um filhote de gato-do-mato
Se aconchega entre meu pescoço e o ombro
Pássaros cantam em uníssono ao redor
Uma serpente carente se enrola em meus calcanhares

Deus me beija na face
E eu já não sou mais eu
Sou só natureza natural naturalis.

Sexta-feira santa, santo jejum

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