terça-feira, 29 de julho de 2008

Deus é devagar

Adriana Dezotti Fernandes

Sua pele, ele a lambia vagarosamente
Primeiro as costas,
Começando pelos ombros
Descendo pela coluna vertebral
Sua língua qual serpente em guarda
Deslizando, espalhando saliva
Temperada de laranja e cravo-da-índia

As mãos, obedientes
abertas e obcenas
acompanhavam o movimento da língua
descendo a partir das axilas
até a curva da cintura
das nádegas
separando-as, atrevidas
enquanto o rastro de saliva se encontrava
com a chuva agridoce viscosa
nascida dos tremores do ventre
se espalhando pela fruta de mil lábios
que, sutilmente se abrindo num afastamento de pernas
se deixava saborear ondulando
em gemidos de prazer.

Lentamente, com doçura e firmeza
virava seu corpo frágil no leito
deixando desprotegido
seu ventre tremulante
os ossos arfantes de suas costelas
e os bicos rígidos de seus seios redondos
e, enquanto uma das mãos explorava o fruto maduro
a outra acompanhava os lábios que sorviam cada centímetro da pele
a língua em movimentos circulares
penetrando delicadamente o umbigo
seguindo os contornos das mamas
e chupando com sofreguidão
o bico agora entumecido
de seu seio direito.

Pescoço boca maçã do rosto
Olhos testa cabeça
Agora as mãos tocavam-lhe os cabelos
Segurando-lhes pelas têmporas
Boca encontrando boca
Enquanto seu pênis paciente
Penetrando vagarosamente
Inundandava-a de calores e cores.

Depois disso tudo era uma só dança
Corpos mãos bocas e olhos
O gozo inevitável abençoava a ambos
E então, perdidos nos campos floridos
E perfumosos do éden
Eles se perguntavam
Se por acaso
Aquilo seria Amor.

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