sábado, 16 de agosto de 2008

ADVERTÊNCIA

(Régis de Moraes, 2003:14)

Porque nunca calculei
o peso de minha lágrima
ou a força do meu riso,
descobri que viver
é a coisa mais desmedida.

Admiro os comedidos. Invejo-os
por ser a minha vida
um improviso de desproporções.
Porque nunca entendi
melancolias feitas de concisão,
insisto em ter na poesia
a pátria dos girassóis impossíveis
de Van Gogh.

Um comentário:

Sabrina Sanfelice disse...

Bravo! Bravo! Lindíssimo...

Viver sem medidas é o que mesmo que inventar bolos com ingredientes diferentes a cada momento e, mesmo que nas mordidas encontremos sal de menos ou açúcar de mais, a sensação de "expectativa" será sempre um estímulo para procurarmos os gostos e texturas perfeitas (mesmo que esqueçamos tudo e deixemos a fórmula ao acaso do efêmero universal!)

Beijos minha Dinda!