sábado, 18 de julho de 2009

estranho preenchimento que me esvazia...

na cabeça um motor
no corpo o torpor
nas mãos braços ombros: dor
no coração um grande amor

eu que era múltipla
que era errante
que era safa
e decidida

me vejo aqui
tonta
parada
atordoada
perdida

na mesma estação
esperando um trem
que passa sem me pegar

cadê eu?
tô aqui

antes é que eu não tava

o amor chegou
não perguntou
e se eu respondi
não ouviu
não quer saber
já se instalou

e eu aqui
assim
lutando em vão
pra dominar a nau
de meu coração

nômade deleuziana
(a que não sai do lugar)

transcendendo a imanência
tirando máscaras
rompendo a aparência

(oxalá ainda me reste
um pouco de decência...)

Nenhum comentário: